Corpo e fotografia - Com Bruno Pavão

Iniciando a série "O que você pensa sobre ...?" compartilhamos o que pensa Bruno Pavão sobre o tema: corpo.

Bruno Pavão

Fotógrafo, designer de mídias digitais, técnico em eletrônica.

Trabalhos publicados em diversos veículos de comunicação e inúmeras campanhas publicitárias.

Áreas de atuação: moda, comportamento, produtos e gastronomia.

Atualmente dedico-me a fotografia híbrida, que envolve mais de 3 suportes para construção de uma imagem: Fotografia, 3D, Photoshop e Artes Plásticas

 

O que Bruno pensa sobre o corpo?

 

"A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa." (Eduardo Hughes Galeano)

 

 

"Quando descobri a fotografia era experimentação, curiosidade e os temas eram e são variados, mas por conta dos caminhos escolhidos acabei seguindo para a fotografia publicitária.

Já fiz inúmeros ensaios que envolvessem corpos e o que pude perceber é que fotografar uma atriz é muito mais fácil do que uma modelo na grande maioria dos casos, pois existe uma relação importante na mensagem que queremos passar com o conhecimento das reações aos estímulosque o corpo é submetido no cotidiano. Independente se é um trabalho publicitário ou autoral, existe uma subjetividade, uma intenção do fotógrafo consciente ou não, justamente por isso existe o que chamamos de direção do modelo e nesse caso os atores conseguem interpretações mais próximas do sentimento que quer se explorar.

O corpo nesse caso se torna uma forma platônica, um momento paralisado em um pedestal para ser idolatrado, uma ferramenta de comunicação, mas é sempre pensado de forma que desperte uma determinada reação no leitor daquela imagem, não que isso será sempre alcançado, pois a mensagem acaba se perdendo quando submetida a subjetividade do receptor, mas nos esforçamos ao máximo para excluir interpretações errôneas.

A gestualidade é muito importante para dar suporte à mensagem, é necessário o domínio dela, não importando se o corpo é o tema ou é usado para dar suporte a algo de maior interesse na imagem, como uma ação, uma roupa, um carro, um momento do cotidiano ou outra necessidade.

O processo criativo parte do estudo do público alvo, como ele se comporta, como se veste, como ele se enxergaria naquele corpo da imagem e sabendo disso contratamos os profissionais para construir a mensagem que vão cuidar do cenário, da roupa, do cabelo, da maquiagem e por fim o trabalho do fotógrafo que é dirigir o modelo para que tudo aquilo faça sentido àquele público. A escolha do corpo que será fotografado também faz parte dessa identidade buscada, é como um corpo sem órgãos de Deleuze, quando o corpo toma uma outra função."

 

Bruno Pavão

 


Na próxima publicação teremos a produção de um artigo que a proposta de diálogo com o texto do Bruno Pavão.

Escutatório