Corpo e fotografia (texto-resposta)

Por Mariana Anconi  

        Enquanto forma de arte e canal de expressão subjetiva, tem-se na fotografia (foto-grafia) uma forma de escrita através da utilização de luz e contraste. Uma escrita em imagens que produz efeitos naquele em que se permite mergulhar para além da imagem exposta e, também, naquele que “escreve" suas imagens (o fotógrafo). Trata-se de uma imagem transmite algo, seja de uma forma direcionada ou mais livre e, aparece como forma de linguagem trazendo consigo um para além do dito, ou visível, algo que resta dizer, ou, mostrar. 

“ Independente se é um trabalho publicitário ou autoral, existe uma subjetividade, uma intenção do fotógrafo consciente ou não (…).” 

        A fotografia pode representar, pode reivindicar, pode mais, como revelar o que está velado, pode inquietar ao ponto de alguns se perguntarem o que fazer com isso. Diferente de uma imagem produzida pelas pinceladas no quadro, a foto apresenta algo do real capturado pela lente. Neste sentido, supõe-se que a fotografia pode ser reveladora enquanto produção de verdade. Verdade esta, não toda. 

      No tema do corpo e fotografia foi possível recolher na escrita de Bruno (fotógrafo) – dessa vez em palavras – aspectos que direcionam para a ideia de um corpo exposto em suas múltiplas facetas.  De que corpo Bruno fala? De um e de vários na verdade, pois estão entrelaçados. 

       A partir do tema sugerido em uma palavra – sem mais especificações – compreendido a nível imaginário por todos, Bruno elege o corpo em sua existência e duração, o que permite ao fotógrafo enquadrá-lo na lente da câmera, na intenção de se trabalhar uma mensagem publicitária. Esse corpo que Bruno escolhe falar especificamente, diz de sua prática, sua vivência e o que representa para ele. 

“O processo criativo parte do estudo do público alvo, como ele se comporta, como se veste, como ele se enxergaria naquele corpo da imagem e sabendo disso contratamos os profissionais para construir a mensagem que vão cuidar do cenário, da roupa, do cabelo, da maquiagem e por fim o trabalho do fotógrafo que é dirigir o modelo para que tudo aquilo faça sentido àquele público.” 

     Como disse em seu texto, há uma preocupação em transmitir uma mensagem ao público a partir do corpo escolhido, atribuído a uma ideia de um vazio a ser “preenchido”  através do vestuário, cabelo e maquiagem. Este trabalho revela uma complexidade, por exemplo, ao tentar evitar passar uma “mensagem errônea”. A  "não-mensagem", ou seja, a aquela que não deve ser transmitida, de alguma maneira escapa. É o que vemos em determinados casos em que ao se tentar fugir da mensagem errônea, acabam acertando-a em cheio. Ironia do destino? A aposta aqui é em outra…

       De fato, há um corpo que existe – real – a ser dirigido, para que determinada mensagem seja transmitida ao interlocutor. A questão que se coloca aqui, a partir do que vimos da noção de se transmitir uma verdade não-toda pela fotografia e da frase escolhida de Galeano na epígrafe “o corpo para a publicidade é um negócio” seria: A que responde este “corpo montado” ? Qual lugar o interlocutor se vê no discurso da propaganda veiculada?

     Um sinalizador interessante – muitas vezes desprezado ou desmentido – é o efeito que se provoca no público, seja de angústia, revolta, ódio, esperança, consumo, etc. O efeitos não deixam de ser uma fotografia da sociedade e suas questões frente aos discursos veiculados e aos imperativos em sua maioria disfarçados de felicidade.

 


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