O que você pensa sobre o uso da tecnologia na transmissão de um saber? Por Caio Gondim

Caio Gondim é engenheiro de Software no The New York Times.

Caio Gondim é engenheiro de Software no The New York Times.

Não é de hoje que, como espécie, tentamos melhorar nossas habilidades como contadores de histórias. Começamos usando símbolos para indicar objetos, evoluímos para a escrita e, desde então, estamos a procura de algo novo (potencialmente melhor) para repassar conhecimento.

A tecnologia veio nos dar mais ferramentas para esta tarefa tão humana. Já se foi rádio, TV e Internet. Cinema mudo, com cores, 3D e até com cheiro. Realidade aumentada e virtual.

Abaixo cito 5 pontos fortes no uso da tecnologia na disseminação de conhecimento de uma forma geral.

 

Imersão

Se empatia é a capacidade de um indivíduo se por no lugar do outro, imersão é a capacidade de por o outro em um lugar que não este. Experiências imersivas são aquelas que se assemelham a experiências reais.

Há anos inventamos e melhoramos dispositivos para enganar nossos sentidos e propiciar uma experiência de algo artificial o mais próximo possível do real (por mais absurda que esta seja). Telas com alta resolução onde pixels individuais não podem mais ser vistos; óculos 3D que adicionam uma sensação de profundidade; equipamentos de som surround; …

A tecnologia nos dá ferramentas para aumentarmos a imersão do leitor na história contada. Podemos ir além do texto e mais próximo ao que foi vivenciado pelo autor.

Abaixo um exemplo de tecnologia como recurso de imersão feito pelo The New York Times. Ele foi gravado em 360º e retrata a batalha pela cidade de Falluja, no Iraque, que estava sob posse do ISIS .

Link:

The Fight for Falluja
Embed with Iraqi forces as they retake a city from ISIS - and experience the battle's aftermath.www.nytimes.com

Escala

Com a internet conseguimos disponibilizar informação para um grande número de pessoas de forma mais barata que o convencional método que é treinar professores, criar instituições, e ligar estas a conglomerados populacionais através de estradas.

Países em desenvolvimento, onde a infra-estrutura é precária e professores escassos, estão se beneficiando com o ensino a distância (e-learning), já que é necessário um menor investimento para alcançar mais pessoas.

Acessibilidade

Conteúdos digitais são mais fáceis de serem adaptados para grupos com algum tipo de deficiência física ou cognitiva.

Para deficientes visuais temos leitores de tela. Para deficientes auditivos temos legendas (já podendo estas serem geradas sob demanda). Todos estes problemas difíceis ou não-práticos de serem resolvidos sem tecnologia.

Mas acessibilidade não se limita apenas a fornecer acesso a deficientes físicos ou cognitivos, mas sim para todos. Existem pessoas que, literalmente, não possuem acesso a uma escola ou biblioteca. Para estas, a internet é a única forma de acesso ao conhecimento gerado por outros.

Logística

Atualizações e novas publicações são mais baratas e rápidas de serem entregues pela internet. O autor atualiza seu website e automaticamente todos seus leitores estão com a última versão, em todo o mundo. No pior do casos é necessário o download de um novo PDF.

Imaginem tentar replicar isso com livros físicos… Uma tarefa cara e demorada. Por isso a necessidade do filtro por parte das editoras na escolha de novos títulos. A impressão de um novo livro é cara.

Mas na internet somos todos autores em potencial.

Interatividade

O meio digital é interativo. A informação não só apenas flui do autor (produtor) para o leitor (consumidor). O leitor pode interagir com o que foi criado e a criação mudar de acordo com o que foi inserido. É criada uma via de mão dupla, onde antes a informação fluía em um único sentido.

Abaixo um outro trabalho feito pelo time de interatividade do The New York Times, explicando como o Uber utiliza truques psicológicos para manter os motoristas nas ruas.

Link:

How Uber Uses Psychological Tricks to Push Its Drivers' Buttons
The secretive ride-hailing giant Uber rarely discusses internal matters in public. But in March, facing crises on…www.nytimes.com

Espelho preto

Mas os mesmos aparelhos que tanto ensinam, também distraem. Ao mesmo tempo que temos uma biblioteca de Alexandria no bolso, há um mundo de distrações e prazeres instantâneos a um clique de distância.

A tecnologia, assim como o fogo e a pólvora, são apenas ferramentas. Cabe a nós decidir como usá-las.