Por Larissa Ferrara - Atriz

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Meu nome é Larissa Ferrara, tenho 28 anos, sou atriz e moro em São Paulo. 

Eu tinha apenas 14 anos quando fiz minha primeira peça. Eu, tão jovem, já havia descoberto o que eu queria fazer pro resto da minha vida e sempre considerei isso metade do caminho andado. Mesmo que na época, eu não fazia ideia de que a outra metade do caminho estaria recheada de dúvidas, incertezas, frustrações, decepções e muitos egos feridos. Claro que sempre bem equilibrado com as coisas boas (às vezes nem tanto), mas posso dizer que apenas um trabalho bem feito, uma personagem bem construída, um processo intenso e com muito aprendizado, já me fortalecem e me dão gás para continuar nessa busca e luta. 

 O cinema sempre foi minha paixão, tanto para atuar como para assistir. Acredito ser um meio de expressão bem completo, pois contém imagens, música, movimento, seres humanos, relações, fotografia, estórias, efeitos sonoros e etc. É como se fosse um conjunto de todas as artes em uma coisa só, fazendo com que a imersão do espectador seja mais rápida e intensa. 

A minha experiência como atriz no universo cinematográfico sempre foi emocionante. Sinto que cada personagem me fez viver diversas situações e relações que provavelmente eu, Larissa, nunca viverei. E isso para mim, é simplesmente mágico. É entender e aceitar diversas perspectivas diferentes sem julgamento. 

Eu, por exemplo, já vivi uma personagem que estava em uma situação extrema, onde ela havia sido rejeitada em um emprego por motivos psicológicos e era simplesmente o sonho e a vida dela. A reação dela, foi vingança, violência e destruição. Eu tive que viver aquilo, acreditando verdadeiramente que aquela era a única saída para ela. E vivi. Foi uma loucura, pois tive que estudar tudo sobre surtos psicóticos, psicopatas e afins. 

Uma outra vez, fiz uma personagem que era uma jornalista e precisava escrever uma matéria completa sobre as redes sociais de relacionamentos afetivos, como o Tinder. Ela namorava, mas sentiu que só conseguiria escrever se realmente vivesse tudo aquilo. E foi o que ela fez, entrou no aplicativo e começou a encontrar e ter varias relações sexuais com diversas pessoas diferentes. Nesse filme, eu tive que entender a cabeça de uma pessoa ambiciosa com tamanha vontade de acertar e fazer algo perfeito que acaba se sujeitando a ações na qual nunca havia feito e tudo isso para escrever a melhor matéria para uma revista. 

Enfim, foram diversas personagens e estórias diferentes que me fizeram perceber o quão complexo é a cabeça de um ser humano. 

A figura mais importante do cinema (para mim) é o diretor. O roteirista escreve a história, mas o diretor é quem a conta. Você pode pegar um mesmo roteiro e entregar à diretores diferentes, com certeza, sairá filmes e perspectivas diferentes da mesma história. E é esse olhar que eu sinto que é essencial em um filme. Normalmente, os atores estão tão entregues e tão perto daquela estória e dos personagens que acabam não conseguindo ver o macro do filme e o diretor entra aí. 

E é por isso que Kubrick, Bergman, Kurosawa, Polanski, Haneke, Truffaut, Hitchcock, Almodóvar, Scorsese, Fellini, Tarantino, Woody Allen, são alguns dos melhores diretores com os melhores filmes de todos os tempos. O jeito que cada um conta uma história é diferente, autêntico e cada uma tem uma linguagem específica. É como ver um quadro do Kandinsky, você imediatamente reconhece que a pintura é dele, pois ele tem um estilo próprio. 

O cinema é uma arte em conjunto do diretor, dos atores, do roteirista, da figurinista, do editor, da equipe técnica e etc. Quando todos estão alinhados, o filme tem uma grande chance de ficar interessante.

Enfim, o cinema me traz vivência, potência, entendimento, aprendizado, milhares de emoções e principalmente, me faz olhar para dentro, fazendo com que eu descubra cada vez mais sobre eu mesma.