Fechado para "deforma"

O que faz o encontro de pessoas formar um time?

O Escutatório nasceu de um encontro. De lá pra cá experimentou dinâmicas, palavras, linguagens e ideias diferentes e, em nenhum momento, foi possível ser Um time. Somos várias e diferentes.  

E estamos aqui de  novo escrevendo a três mãos. Escrevemos porque algo falta nesse mar de letras e posts que insistimos em navegar, mas por vezes, a falta pode ameaçar desaparecer e sem ela não existe movimento, nem escrita. 

Há 3 anos (29/06/2016), quatro mulheres (Mariana Anconi, Anastácia David, Carolina Escobar e Lorena Bitar), se reuniram criando um espaço de articulação, transmissão, diálogo por meio da escrita livre e engajada com o desejo de, para além de falar, escrever psicanálise à nossa maneira, com nossos traços e percursos. Com o rigor que trouxemos de nossa formação com professores que nos estimularam com amor ao invento freudiano. Nos estimularam a olhar para além das imagens formadas ao fundo da caverna. 

Desde então, seguimos, cada uma à sua maneira fazendo psicanálise e apostando nesse saber como um caminho para atravessar a vida. Vida que nos leva dia e noite para encontros com embates e belezas imprevisíveis. Vida que traz e leva, como o mar, metáfora para o movimento constante. Lá e Cá.

Hoje somos Mariana, Maiara e Anastácia. Talvez nosso leitor não saiba, mas estamos em diferentes lugares por esse mundo. Maiara em São Luís, Anastácia em São Paulo e Mariana em Nova York. Mas não foi sempre assim. Tivemos encontros (belos!) para pensar temas e propor ideias. Desde o ano passado atravessamos uma fragmentação (im)possível sustentada pelo espaço virtual, tentando compor, articular e construir uma produção em conjunto. 

Dos diferentes lugares, tempos e posições apostamos em uma costura. Em seu significado temos na palavra costura: “ato, processo ou efeito de unir duas ou mais coisas, por meio de pontos”. Mas uma pergunta insiste: Como sustentar o desejo sem a presença do encontro? O virtual dá conta? Ou precisamos do encontro na materialização do corpo? Para nós, isso parece imprescindível em alguns momentos. 

Três anos se passaram: seria o Escutatório um Ateliê? Um Cartel? Dispositivo das escolas de psicanálise onde se assume o envolvimento com uma questão da teoria para ao final sair uma produção que tem a ver com o desejo? Às vezes parece que sim, outras que não… deixemos no ar. 

Chegou a hora de movimentar! Anunciamos que nosso Escutatório estará “fechado para reforma”; ou “deforma” como escolhemos. "Deforma" implica em deformar, sair da forma e da fôrma. O analista para exercer sua função passa por uma formação, mas aposta-se em uma deformação que está atravessada por sua análise pessoal também, que o possibilita operar na função de uma escuta que causa desejo. Um movimento necessário para sua (de)formação.
Contaremos durante um (in)certo tempo com um trabalho de elaboração nosso a respeito do projeto a partir do desejo de cada uma. Fica uma aposta no futuro. Para trocar e transmitir o que precisamos dizer, se não neste, em outros espaços. 

Mariana Anconi

Anastácia David

Maiara Marques